quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O Céu que nos Protege


Exótico!

Eu resolvi falar desse filme, pois diversas vezes o vi em sebos para vender e como não conhecia acabava não comprando. Infelizmente meu repertório de filmes, apesar de diversificado, não é tão vasto assim pra conhecer a obra ou toda a obra de tantos diretores, mesmo diretores importantes como Bernardo Bertolucci. De qualquer forma eu o achei mais tarde mais barato, e novo em outra loja. Comprei e não me arrependi em nada. Confesso que me surpreendi.

Filme muito interessante baseado no livro de Paul Bowles. Só por curiosidade é aquele senhor que faz a narrativa do filme em algumas partes. O filme é sobre um casal de escritores americanos (Port Moresby interpretado por John Malkovich e Kit Moresby interpretado por Debra Winger) viajando pela África e acompanhados de um amigo um tanto "inconveniente" (Gorge Tunner interpretado por Campbell Scott).

A fotografia é linda, os lugares são exóticos e talvez (pelo menos a meu ver) é o que da o tom ao filme. Não sou muito fã de romance, mas esse é até interessante. O fato da viagem para a África é o de menos, tirando o fato de trazer todo aquele ar quase surreal ao filme. O interessante na verdade esta na relação entre os personagens. Claro que a viagem em si, o ar surreal faz tornar o filme ainda mais subjetivo e psicologicamente interessante. Implodindo a alma de cada um deles para a sua realidade interior e as relações interpessoais. O ambiente torna isso mais propicio. Digo que a viagem para a África é de menos, porque acredito que qualquer lugar exótico poderia ter dado o mesmo tratamento ao filme.
De qualquer forma foi uma ótima escolha. Adoro desertos...

Dês do inicio o filme deixa claro que o casamento de 10 anos do casal esta se desmoronando. O que faz a viagem ser interessante, pois é a partir dela que eles se encontram novamente e fatalmente se separam definitivamente.

O marido (Port), não muito fiel, visita a tenda de uma prostituta na primeira cidade que chega. É interessante observar o simbolismo desse ato, pois apesar de casado ele já não se considerava mais companheiro dela, fato que se observa de forma ainda mais contundente quando se vê que ele a deixa dormindo sozinha e sai para passear a noite, se afastando e dando margem ao seu erro. Mais tarde numa discussão onde nem a esposa (Kit) nem ele sabem bem o que fazer sobre como ir à próxima cidade, ele admite que ela acompanhe o "amigo" (Gorge). Isso demonstra mais uma vez até que ponto pode estar desprendido dela. Na discussão você observa que ele não deseja que ela vá com Gorge e nem ela demonstra desejar, mas também não pretende viajar com uma mãe e filho desagradáveis que oferecem carona. Isso gera margem também para uma possível traição dela com Gorge onde ela o acompanha bebendo boa parte da viagem e no outro dia acorda nua ao lado dele, também nu. Ou seja: cada um tire a própria conclusão. Mesmo por que, apesar de óbvio, o caso de Port com a prostituta também não fica claro. Mas como não estamos falando de um filme pornô nada tem que ser explicito.




Quanto a Kit, ela também demonstra em diversos momentos já estar sem paciência para o marido como quando Port deseja contar um simples sonho para Gorge e Kit se irrita de tal forma que deixa o recinto. No primeiro hotel onde eles se hospedam ela demonstra falta de paciência com a sua presença. Os dois dormem sozinhos também. Quartos separados.

Quanto ao Gorge tanto marido quanto esposa jogam a culpa da presença dele um para o outro. Aparentemente não querendo qualquer um deles admitir que desejem a presença dele consciente ou inconscientemente. Apesar dele, Gorge, deixar claro que deseja a presença dela. Bom, da para ver que ambos estão mais ou menos no mesmo barco.

Com o tempo ambos acabam retomando as rédeas dos seus sentimentos um pelo outro. Port em seu leito de dor, pois acaba se adoentando, percebe o quando ama sua mulher chegando no ápice do seu sentimento quase como uma analogia ao seu estado de delírio. Kit se sacrifica para salva-lo num esforço em vão e assim demonstrando o quanto necessita da presença daquele que ama. Delírio, dor, confusão mental e amor se confundem nesse pico narrativo chocante e emocionante onde "ambos se encontram no momento da partida".

A medida que o tempo passa o filme vai se desenrolando num ritmo eventualmente calmo e quase maçante (para alguns) e trágico. O filme é longo (138min), mas a meu ver pelo menos, ele é suficientemente bem dirigido pra não tornar isso um ponto negativo. Apenas um momento mais para o final quando Kit esta sozinha e acompanha um beduíno parece que o filme cai numa masturbação desnecessária, mas rapidamente Bertolucci retoma o ritmo deixando claro que esse era também um momento necessário para demonstrar o estado de espírito da protagonista.





Bom, claro que esse filme merece uma analise MUITO, mas MUITO mais profunda (algumas boas análises podem ser encontradas na internet). Eu mesmo só fui perceber detalhes em muitas coisas quando parei pra pensar sobre. Merece ser visto varias vezes e mesmo que eventualmente alguém não goste por algum motivo vai ter que pelo menos admitir que o filme é bom.



Direção: Bernardo Bertolucci
Roteiro: Bernardo Bertolucci, Marke Peploe, Paul Bowles
Ano: 1990
Gênero: Drama
Fotografia (merece): Vittorio Storaro

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