terça-feira, 18 de outubro de 2011

MirrorMask



Resolvi dar um respiro e deixar esses filmes gore de lado por hora.

Bom. Uma vez um amigo meu comentou bem por alto a respeito desse filme. Disse que leu uma resenha feita por um critico qualquer por aí. O filme soou tão estranho para ele, o crítico, que ele se quer sabia o que dizer. Na época o filme ainda estava sendo produzido, mas no fim disse que cada um visse e tomasse suas proprias conclusões. OK!

Bom, depois de um tempo eu vi o trailer e não tive duvida que se tratava desse filme. Obviamente eu confirmei mais tarde com esse amigo meu e era mesmo. Mais tarde eu vi o filme e achei bem interessante.

Para quem já leu Sandman do Neil Gaiman, disparado o trabalho mais famoso dele e consequentemente do  Dave McKean, vai se identificar com esse filme. As capas do Sandman foram todas feitas pelo Dave McKean. Imagine elas em movimento. Então... você ja sabe como é o filme.

Talvez o que mais salta aos olhos é a produção. Não que a história não seja boa, coisa que vou comentar mais tarde, mas a produção é única. Acontece que esses dois nomes já são velhos conhecidos da mídia, especialmente para quem gosta de quadrinhos.

Produziram verdadeiras "obras de arte sequencial"... uma brincadeira com o nome para também fazer referencia a outro grande artista: Will Eisner. Um verdadeiro gênio dos quadrinhos aclamados por nomes também consagrados como o proprio Nei Gaiman e o Alan Moore. Foi Eisner que cunhou o termo "arte sequencial" para se referir aos quadrinhos.

Nei Gaiman é o escritor da historia junto com Dace Mackean que dirige. A tendencia inicial é tentar atribuir os créditos todos da historia para Gaiman mesmo e não sem motivos. Gaiman e Mackean trabalhan juntos a muito tempo e isso inclui trabalhos não só como o Sandman, mas o próprio Mirrormask, o sensacional Orquídia Negra entre muitos outros. Trabalhos desse porte normalmente tem a colaboração de mais uma ou de muita gente, mas essas historias são todas assinadas pelo Gaiman. Como bons amigos que são, muitos dos trabalhos de Gaiman tem a assinatura gráfica do Macken.

As historias dele são singulares. Não vou negar que nem sempre gosto de tudo, mas de um modo geral elas tem uma estrutura muito boa, um enorme número de referencias a literatura e cultura pop de um modo geral. E não sei o motivo de normalmente, especialmente no Brasil, atrair mais mulheres hehe... Isso foi levantado uma vez para ele em uma entrevista feita aqui no Brasil a muitos anos, mas ele não ligou muito.

Quanto a historia do filme propriamente dito tem um detalhe que me chamou a atenção e acredito que se o grande motor da coisa toda. O nome. MirrorMask é um jogo de palavras. Mirror em inglês é espelho e Mask é mascara. "Ta, grande coisa" alguém poderia dizer. Mas existe um elemento de ligação entre elas. É o "or" que é ou em inglês. Portanto se fossemos fazer uma tradução literal teria que ser Espelho ou Máscara. O motivo de ser chamada de Máscara da Ilusão no Brasil é algo que só o pessoal que lança DVDs aqui sabe dizer. Problema antigo já.



O filme inteiro é uma brincadeira onírica de ideias relacionadas com essas palavras. Basicamente é uma menina que trabalha em um circo chamada Helena interpretada por Stephanie Leonidas. Ela esta sempre tentado fugir do mundo onde vive "viajando". Pra completar a situação a sua mãe esta doente e as duas tem conflitos de ideias. Então no meio desse contexto todo ela entra em uma aventura recheada de imagens fantásticas que vai fazer ela se encontrar com ela mesma e no meio onde vive.


O filme esta abarrotado de referencias a objetos, pessoas e eventos da vida dela. Ele é basicamente um conflito de identidade que ocorre especialmente na época mais complicada e chata da vida de qualquer um: a adolescência. Enquanto ela esta no mundo dos sonhos o seu alter-ego toma o seu lugar no mundo "real" e então ela tem que resolver esse problema. No fim a grande sacada da resolução da historia esta no nome do filme. Você prefere o espelho ou a máscara? E no caso dela que trabalha em um circo, o que é melhor? A máscara pode não ser necessariamente um elemento falso. Apenas uma face que se expressa naquele momento. Vale a pena estudar isso sobre o foco da antropologia.



Ela troca de mascaras diversas vezes na historia para se enquadrar em um contexto. Eventualmente até de roupa e cabelo. Nem sempre é por interesse próprio, mas sempre objetivando um contexto de experiencias. Para mim... e eu posso estar enganado, pois sabe-se la o que o roteirista quis com isso, acredito que tem haver com o processo dela de crescer. Talvez isso se evidencia de maneira mais clara quando ela muda mais completamente e isso é feito por uma especie de camareira robô com relógios. É o tempo passando.


Ver esse filme é como andar em um sonho e ao mesmo tempo acompanhar o crescimento de uma menina tentando se encaixar e entender o mundo onde vive, suas emoções e conflitos, inclusive com os seus entes mais próximos.




Enfim, a historia é legal e vale a pena conferir. Mas acho que para os que estão acostumados com produções tradicionais do cinema sem duvida nenhuma o que salta da tela é o visual totalmente fora do comum.

O trabalho gráfico do Dave McKean é soberbo. Como já falei é só procurar por qualquer trabalho dele e imaginar aquilo em movimento. É o filme.
Eu achei o trabalho com as cores fantástico, a forma e a composição com objetos puramente gráficos. A única coisa que não me agradou muito foram os momentos onde se intercalam objetos e personagens feitos em CG. Ta bom, tudo alí é CG, mas refiro-me aquelas partes feitas em 3D como a criatura flutuante entre outros. O CG hoje esta tão avançado que talvez por isso tenha tido essa impressão. Já vi filmes onde era praticamente impossível identificar o que era e o que não era real. No filme dele não existe esse problema por motivos óbvios. Mas ainda assim falta aquela composição boa entre dois tipos de elementos gráficos. No mais é fantástico.


Todos os ambientes são meio "embaçados", mas sem perder a nitidez necessária. Isso acontece, pois é óbvio que tudo deve ser entendido como um sonho.



Algumas criticas reduzindo o filme podem ser encontradas por aí. É natural. O filme tem uma narrativa linear, as interpretações não são tão boas e infelizmente o clima não traz alterações emotivas tão significativas. Talvez seja exigência de mais para a dupla que, apesar de serem velhos criadores de bons materiais, fazem nesse filme o seu primeiro trabalho cinematográfico juntos. 



Diretor: Dave McKean
Roteirista: Neil Gaiman
Duração: 104 min
Ano: 2005
País: Inglaterra/EUA

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