sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Anjos do Sol


Filme brasileiro que não fala de desgraça normalmente é uma baboseira sem fim, algo pra burgues que não tem um pingo de noção do que se passa fora da orrrrla ou é filme pornô.

O fato é que voltando a realidade chamada Brasil, parece ter pouca coisa para ser retratada a não ser desgraça mesmo. Assunto não falta.



Quanto ao motivo em questão, o pior de tudo é ver um cara... vários... que não valem nem para estrume abusando de uma menina. E é disso que trata esse filme: prostituição infantil.

Não lembro se ouvi falar desse filme na época que saiu, mas faz tempo. De qualquer forma só consegui ver esses dias e tive que procurar para baixar. Foi lançado até fora do país e foi premiado la fora também, mas aqui não teve nem um pingo da divulgação que merecia. Bom, mais ou menos entende-se o motivo quando agente vê... e já no inicio do filme quando as meninas são postas à venda.



O filme foi rodado em locações na Bahia, Amazonas e Rio de Janeiro. Falando de maneira resumida e superficial é a historia de meninas que vivem em regiões bem afastadas dos grandes centros urbanos e que são vendidas pelos pais a um atravessador. Esse cidadão entrega as meninas a uma mulher que as leiloa. Nesse evento elas caem nas mãos de pessoas até influentes para o uso segundo lhes convir.
Na continuação do filme duas são compradas por um fazendeiro que depois de as usar despacha para uma região de garimpo.
Bom, la dentro nem precisa dizer mais nada quanto a certos detalhes. A historia continua sempre dando bastante ênfase a personagem principal que é Maria, interpretada por Fernanda Carvalho, e indo parar no Rio de Janeiro. Basicamente nesse ponto as coisas só mudam na forma...



Então. Essa infelizmente é uma realidade lastimável do nosso país hipócrita. O filme mostra cruamente a situação lastimável que muitas famílias vivem e a infeliz decisão que muitas delas tem de vender seus filhos, muitas vezes sem nem saber o fim que terão. Mostra a crueldade com que essas meninas são tratadas, as condições absurdas a que elas são submetidas sem absolutamente nenhum cuidado nem mesmo com doenças sexualmente transmissíveis. Agora imaginem como deve estar a saúde sexual não só delas, mas de todo esse meio insalubre a que são submetidas. Triste.



O que realmente deixa a gente desconcertado é saber que se trata da realidade.
Como é relatado no filme, ele foi feito com base em pesquisas, então mesmo que não seja uma historia real é sim baseada em elementos reais. As pesquisas foram feitas por um período de 9 anos aproximadamente.
Como andei lendo por aí a Secretaria Especial de Direitos Humanos constatou que a exploração comercial de crianças ocorre em mais de 900 municípios brasileiros e a Policia Rodoviária já tem constatado pelo menos 1200 pontos onde isso ocorre só nas rodovias federais. Como eu não vejo muito sendo feito e o país é muito maior que isso pode crer que esses dados estão muito abaixo da realidade. Mas de qualquer forma já é assustador.



Existem algumas outras eventuais curiosidades sobre o filme que tem mais haver com o meio artístico do que propriamente com o filme ou o assunto em si. Talvez a maior delas foi a atris Darlene Glória interpretando a cafetina carioca. Darlene Glória foi musa de diversos clássicos como "Toda Nudez Será Castigada” de 1973 de Arnaldo Jabor, mas esta afastada por ter se convertido a uma religião evangélica. O que talvez mais preocupe foi o cuidado que a direção teve que ter com as meninas que fizeram o filme. Os pais leram o roteiro antes e teve gente especializada trabalhando junto para cuidar delas e evitar qualquer desconforto.



Apesar de ser o primeiro longa do diretor ele não é novato na área. O filme tem uma fotografia impecável, as interpretações são boas, o roteiro foi muito bem elaborado, revisado e aprovado por um juiz, Siro Darlan, que além de tudo disse que o trabalho deles era sério. A única coisa que não gostei foi saber que existia um trecho que se passava em Brasilia. Qual seria o motivo dele não estar mais na historia?? Enfim... Para finalizar o que o próprio diretor tem ha dizer é que "é um filme duro." E completa dizendo que a sua "proposta era colocar uma discussão, não uma redenção."



Direção: Rudi Lagemann
Roteiro: Rudi Lagemann
Ano: 2006
Duração: 92min
País: Brasil

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Monique – Sempre Feliz! (Monique - Toujours Contente)


Eu odeio comédia romântica, mas essa tive que abrir as pernas. Não rachei o bico vendo esse filme, pois não é do tipo que faz piadas para esse tipo de reação, mas é muito legal como ele trata o assunto tema desse filme: relacionamento.

Uma curiosidade que li por aí é que a boneca é uma atriz de verdade, Não achei nada que confirme isso, mas para quem já andou pesquisando sabe que existem bonecas com aquele nível de qualidade. É só procurar por real dolls.

Outra coisa é que não tem muito sobre esse filme por aí. Quando escrevo uma resenha ou comentário sobre algum filme procuro imagens para ilustrar e nesse caso tive que recorrer ao DVD. Não se acha nada na net. Estranho ter saído no Brasil.

Quem me apresentou essa pérola foi a minha mulher. Claro que pelo aspecto rosa, corações e tudo mais acaba chamando muito a atenção das mulheres. Estranho realmente. Tem muita pouca coisa, tirando a forma interessante da "boneca" que chamaria a atenção de um homem no marqueting desse filme. Só às mulheres mesmo. Tudo rosa, corações, um salto, essas coisas... um aspecto mercadológico que lembra shopping. De qualquer forma acho que tende a agradar mais aos homens do que as mulheres.



Falando da experiência transcendental que tive, lembro que quando vi esse filme pela primeira vez minha alma quase se desprendeu do corpo com cenas que falavam pra mim. Era quase como se fosse eu la. Tirando raras exceções acredito que serve para cada homem da terra que já se relacionou ou esta se relacionando.



Basicamente a historia é a seguinte: um cara de 40 anos (Alex interpretado por Albert Dupontel) que trabalha com publicidade, portanto beleza de um modo geral e já esta de "saco cheio" do relacionamento dele. De certa forma não só ele, pois ela, sua esposa (Claire interpretada por Marianne Denicourt) também só reclama, mas ele nem responder mais. Eles brigam, a mulher trai ele e ele (sem saber desse fato) bebe até perder a razão e investe uma boa grana em uma boneca dessas perfeitas. Um tempo depois Monique chega e ele nem lembrava mais do que fez. Recebe e fica assustado com a encomenda. Tenta devolver e se desfazer dela, mas acaba desistindo. Daí pra frente é um show. Na verdade ja é dês do inicio, mas desse ponto fica mais engraçado.


Da pra ver o quanto o relacionamento deles não esta legal quando Claire fala pra Alex que o esta traindo e ele... praticamente não faz nada. Alex continua depois a preparar o quarto para Monique que a essa altura já estava com ele.
O interessante é que depois Claire fica doida quando descobre que Alex esta traindo ela com uma boneca hehe...



O contexto basicamente é um casal bem sucedidos proficionalmente, um filho deprimido e o pai do Alex esta doente. O casal esta em uma crise óbvia e é isso.



Então Monique começa a mudar em alguns aspectos a vida o Alex. Ele volta a conversar (com a boneca), começa a cozinhar, depois de um tempo chama os amigos pra conhece-la, sai passear com ela e por essas e outras deixa todo mundo louco... especialmente Claire. Os amigos (casais) tem crises, um dos seu amigos quer a boneca emprestada de qualquer jeito e Alex começa a usar ela nos seus trabalhos. Até os amigos descobrirem que é uma boneca acham que ele esta com uma menina bem mais nova do que a sua esposa. O engraçado é que até essa parte todo mundo achou até normal, mas quando descobriram o que realmente era é que todo mundo entrou em colapso.



Mesmo que falem pra você que não retrata a realidade e que é superficial e bla bla bla... é a visão masculina tratada de maneira engraçada e fácil de se identificar. Como não sou mulher não sei se as reações delas no filme retratam a realidade delas em uma situação dessas, mas se for tornaria o filme ainda mais interessante.



Definitivamente não é uma comédia pra rir como um retardado e nem mesmo um romance meloso chato. É engraçado e ao mesmo tempo retrata os relacionamentos "fracassados" ou "parcialmente fracassados" de maneira interessante e engraçada.

Claro que apesar do filme trazer algumas reflexões interessantes não é nada de tão profundo. Alguém que estiver com mais disposição pode se preocupar com isso imaginando o seu significado, tipo, anti-tipo e coisas assim, o medo que Monique gera nas mulheres e tudo mais. Mas ele é leve e foi feito para divertir. É comédia francesa. Consegue atingir o objetivo ao qual se propõe. Não explica o motivo de certas coisas e nem tem essa pretensão. Como diversão é nota 10, os homens vão curtir e... talvez alguma mulher não goste por achar machista, mas a minha pelo menos achou engraçado.



Como sempre tem gente que fala bem e gente que fala mal. Das criticas que falam mal não vi nenhum argumento que mereça ser replicado então cada um que tire a própria conclusão. Eu gostei e por esse motivo achei que valia a pena divulgar.

Diretor: Valérie Guignabodet
Roteirista: Valérie Guignabodet
Ano: 2002
Duração: 95min
País: França

terça-feira, 18 de outubro de 2011

MirrorMask



Resolvi dar um respiro e deixar esses filmes gore de lado por hora.

Bom. Uma vez um amigo meu comentou bem por alto a respeito desse filme. Disse que leu uma resenha feita por um critico qualquer por aí. O filme soou tão estranho para ele, o crítico, que ele se quer sabia o que dizer. Na época o filme ainda estava sendo produzido, mas no fim disse que cada um visse e tomasse suas proprias conclusões. OK!

Bom, depois de um tempo eu vi o trailer e não tive duvida que se tratava desse filme. Obviamente eu confirmei mais tarde com esse amigo meu e era mesmo. Mais tarde eu vi o filme e achei bem interessante.

Para quem já leu Sandman do Neil Gaiman, disparado o trabalho mais famoso dele e consequentemente do  Dave McKean, vai se identificar com esse filme. As capas do Sandman foram todas feitas pelo Dave McKean. Imagine elas em movimento. Então... você ja sabe como é o filme.

Talvez o que mais salta aos olhos é a produção. Não que a história não seja boa, coisa que vou comentar mais tarde, mas a produção é única. Acontece que esses dois nomes já são velhos conhecidos da mídia, especialmente para quem gosta de quadrinhos.

Produziram verdadeiras "obras de arte sequencial"... uma brincadeira com o nome para também fazer referencia a outro grande artista: Will Eisner. Um verdadeiro gênio dos quadrinhos aclamados por nomes também consagrados como o proprio Nei Gaiman e o Alan Moore. Foi Eisner que cunhou o termo "arte sequencial" para se referir aos quadrinhos.

Nei Gaiman é o escritor da historia junto com Dace Mackean que dirige. A tendencia inicial é tentar atribuir os créditos todos da historia para Gaiman mesmo e não sem motivos. Gaiman e Mackean trabalhan juntos a muito tempo e isso inclui trabalhos não só como o Sandman, mas o próprio Mirrormask, o sensacional Orquídia Negra entre muitos outros. Trabalhos desse porte normalmente tem a colaboração de mais uma ou de muita gente, mas essas historias são todas assinadas pelo Gaiman. Como bons amigos que são, muitos dos trabalhos de Gaiman tem a assinatura gráfica do Macken.

As historias dele são singulares. Não vou negar que nem sempre gosto de tudo, mas de um modo geral elas tem uma estrutura muito boa, um enorme número de referencias a literatura e cultura pop de um modo geral. E não sei o motivo de normalmente, especialmente no Brasil, atrair mais mulheres hehe... Isso foi levantado uma vez para ele em uma entrevista feita aqui no Brasil a muitos anos, mas ele não ligou muito.

Quanto a historia do filme propriamente dito tem um detalhe que me chamou a atenção e acredito que se o grande motor da coisa toda. O nome. MirrorMask é um jogo de palavras. Mirror em inglês é espelho e Mask é mascara. "Ta, grande coisa" alguém poderia dizer. Mas existe um elemento de ligação entre elas. É o "or" que é ou em inglês. Portanto se fossemos fazer uma tradução literal teria que ser Espelho ou Máscara. O motivo de ser chamada de Máscara da Ilusão no Brasil é algo que só o pessoal que lança DVDs aqui sabe dizer. Problema antigo já.



O filme inteiro é uma brincadeira onírica de ideias relacionadas com essas palavras. Basicamente é uma menina que trabalha em um circo chamada Helena interpretada por Stephanie Leonidas. Ela esta sempre tentado fugir do mundo onde vive "viajando". Pra completar a situação a sua mãe esta doente e as duas tem conflitos de ideias. Então no meio desse contexto todo ela entra em uma aventura recheada de imagens fantásticas que vai fazer ela se encontrar com ela mesma e no meio onde vive.


O filme esta abarrotado de referencias a objetos, pessoas e eventos da vida dela. Ele é basicamente um conflito de identidade que ocorre especialmente na época mais complicada e chata da vida de qualquer um: a adolescência. Enquanto ela esta no mundo dos sonhos o seu alter-ego toma o seu lugar no mundo "real" e então ela tem que resolver esse problema. No fim a grande sacada da resolução da historia esta no nome do filme. Você prefere o espelho ou a máscara? E no caso dela que trabalha em um circo, o que é melhor? A máscara pode não ser necessariamente um elemento falso. Apenas uma face que se expressa naquele momento. Vale a pena estudar isso sobre o foco da antropologia.



Ela troca de mascaras diversas vezes na historia para se enquadrar em um contexto. Eventualmente até de roupa e cabelo. Nem sempre é por interesse próprio, mas sempre objetivando um contexto de experiencias. Para mim... e eu posso estar enganado, pois sabe-se la o que o roteirista quis com isso, acredito que tem haver com o processo dela de crescer. Talvez isso se evidencia de maneira mais clara quando ela muda mais completamente e isso é feito por uma especie de camareira robô com relógios. É o tempo passando.


Ver esse filme é como andar em um sonho e ao mesmo tempo acompanhar o crescimento de uma menina tentando se encaixar e entender o mundo onde vive, suas emoções e conflitos, inclusive com os seus entes mais próximos.




Enfim, a historia é legal e vale a pena conferir. Mas acho que para os que estão acostumados com produções tradicionais do cinema sem duvida nenhuma o que salta da tela é o visual totalmente fora do comum.

O trabalho gráfico do Dave McKean é soberbo. Como já falei é só procurar por qualquer trabalho dele e imaginar aquilo em movimento. É o filme.
Eu achei o trabalho com as cores fantástico, a forma e a composição com objetos puramente gráficos. A única coisa que não me agradou muito foram os momentos onde se intercalam objetos e personagens feitos em CG. Ta bom, tudo alí é CG, mas refiro-me aquelas partes feitas em 3D como a criatura flutuante entre outros. O CG hoje esta tão avançado que talvez por isso tenha tido essa impressão. Já vi filmes onde era praticamente impossível identificar o que era e o que não era real. No filme dele não existe esse problema por motivos óbvios. Mas ainda assim falta aquela composição boa entre dois tipos de elementos gráficos. No mais é fantástico.


Todos os ambientes são meio "embaçados", mas sem perder a nitidez necessária. Isso acontece, pois é óbvio que tudo deve ser entendido como um sonho.



Algumas criticas reduzindo o filme podem ser encontradas por aí. É natural. O filme tem uma narrativa linear, as interpretações não são tão boas e infelizmente o clima não traz alterações emotivas tão significativas. Talvez seja exigência de mais para a dupla que, apesar de serem velhos criadores de bons materiais, fazem nesse filme o seu primeiro trabalho cinematográfico juntos. 



Diretor: Dave McKean
Roteirista: Neil Gaiman
Duração: 104 min
Ano: 2005
País: Inglaterra/EUA

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Necromentia



Esse filme da uma impressão estranha quando se pensa nele. A primeira vista parece totalmente sem pé nem cabeça, mas na verdade isso é devido principalmente à montagem. A segunda questão é sobre o assunto em si relacionado com necromancia, bem óbvio devido ao nome do filme.




De qualquer forma também não é nada de excepcional. Outro elemento que salta aos olhos é a reunião de elementos bizarros e eventualmente gore. Visualmente, pelo menos à mim, é o tipo de filme que me agrada muito.



Uma das senas que me deixou com os olhos bem vidrados foi a sena de extremo masoquismo. Os elementos não são tão explícitos e algumas coisas são evidenciadas mais tarde apenas. O interessante é que quando se vê a sena inicialmente fica difícil pensar que não passa de uma "serviço" contratado pela "vitima". 





Basicamente, e pensando linearmente, a historia se resume no seguinte: um casal (Elizabeth interpretada por Zelieann Rivera e Morbius interpretado por Layton Matthews). Morbius é mudo, barman e curte exoterismo. Também temos um cara que vive com o irmão portador de necessidades especiais e que luta para conseguir uma herança maior dos pais mortos (são Travis interpretado por Chad Grimes e Thomas interpretado Zach Cumer). 


Acontece que Elizabeth tem um amante (Hagen interpretador por Santiago Craig). Elizabeth esta gravida, mas Morbius não sabe, só o amante. Elizabeth e Hagen tramam matar Morbius, mas apesar de conseguirem no fim ele consegue reagir e em uma reação raivosa e explosiva mata a mulher enforcada e por consequência o filho.
Fica Hagen, o amante, que guarda o corpo dela tentando mante-la o mais intacto possível, pois ela disse a ele que iria voltar influenciada pelos textos do seu namorado. Acontece que esse povo vai para o inferno. A mulher não aparece mais, mas o resto encontra o filho crescido. Morbius faz um acordo pra ter vingança e arruma alguém pra levar Hagen para o inferno também.


Ele manipula as coisas para fazer com que o Irmão de Travis, Thomas, se mate, pois ele além dos problemas que tem também é suicida.


No fim ele consegue o que quer, todos morrem e ninguém fica feliz para sempre. 




O interessante é o posicionamento extremamente pessimista desse filme. Talvez realista. Todos vão para o inferno. La, apesar de não ser exatamente como a gente imagina da a entender que quem mandam são as crianças mortas usando de sua imaginação. E também ao contrario do que estamos acostumados é um lugar claustrofóbico e solitário.

O filme também retrata alguns aspectos doentes de meios ditos vulgares e especializados da sociedade. Pessoas que pagam para serem torturadas por exemplo. A fuga de travis usando drogas e também a condição sócio econômica que vivem.


Como eu ja falei em muitos momentos tenho uma facilidade grande em não me chocar e não foi diferente. Talvez a parte mais pesada foi a cessão de tortura. O resto não tem nada que ja não tenha sido visto em qualquer filme de terror por aí. Outra parte que me fez pensar e achar bastante engraçada foi o Dr. Skinny junto com outra voz feminina cantando e dançando. A cena é bem legal e emblemática.




Em algumas descrições que vemos por aí fala-se bastante da tabua de Ouija. Essa tabua é usada para fazer comunicação com o mundo invisível... Notadamente com mortos. É uma interface entre um mundo e outro. Acontece que normalmente essas tabuas tem um formato específico que permite essa comunicação. No caso do filme é usado um conjunto de símbolos e diagramas que se pretende fazer funcionar como portal para o inferno. Portanto de Ouija não tem nada. O elemento é interessante, mas não vejo como algo que deva ser levada em consideração. É apenas uma chave que como o Travis fala em um determinado momento usado para abrir as portas que nos conectam com o inferno. Mas sem ligação direta. Talvez pensando melhor eu conclua diferente mais tarde, mas é isso. É um formato bizarra e de terror para contar uma historia de traição e vingança.


Diretor: Pearry Reginald Teo
Roteirista: Pearry Reginald Teo, Stephanie Joyce
País: EUA
Ano: 2009
Duração: 82min

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A serbian film: terror sem limites (SRPSKI FILM)



Antes de escrever qualquer coisa sobre esse filme resolvi ler mais a respeito e ver a opinião de outras pessoas.

Claro que normalmente eu faço isso com todos, mas nesse caso fiz mais por obrigação do que por habito mesmo. Esse filme gerou muita polêmica. Inicialmente pensei em nem comentar nada para não fazer propaganda a mais que a própria proibição gerou, mas mudei de ideia.
Como falei a polêmica acabou sendo devido a proibição em alguns lugares inclusive no Brasil.

Essa minha posição inicial foi devido ao que li e vi a respeito. Mas mudei de ideia depois que vi o filme. Inclusive essa resenha se baseava inicialmente em outras e em comentários, mas sem ter visto o filme. Não queria ver o filme sem ter ele em qualidade boa. Consegui, vi e achei que essa polêmica toda é a toa.

Sim o filme é pesado, mas eu não tenho o habito de me chocar com quase nada. E não foi diferente aqui. Poucas coisas me tiram do rumo. E nesse caso também não vejo problema no filme. Não posso dizer que sou uma pessoa muito calma ou fria, especialmente em certos aspectos, mas sim, não acho legal nenhum dos atos representados no filme. De qualquer forma acho que o que mais incomoda não é a má interpretação dos altores ou a produção e o roteiro simplório. É que ao contrario do filme de zumbi onde se faz praticamente a mesma coisa aí é uma fantasia em forma de espelho. A nossa sociedade esta doente... E cada vez mais. Antes que alguém fale que não é bem assim é só começar a pesquisar sobre crimes hediondos e verão coisas piores. 



Filmes como cannibal (ja comentado aqui e fato questionado quanto a sua legalidade, o ato, não o filme) e esse de agora, entre outros, são retratos do "submundo" onde temos mulheres, mesmo em tenra idade sendo estupradas, espancadas, mutiladas e muitas vezes mortas com requintes de crueldades praticadas até por menores. Temos crianças e aí eu incluo sim bebês que mal saíram do ventre de suas mães, tendo que suportar o peso da doença que recai sobre o ser humano como umas das primeiras coisas que lhes ocorrem. Promiscuidade sem medida e de todas as formas na vida real que as vezes, muitas vezes, desafiam filmes pornográficos. Estava comentando com um amigo que hoje a coisa chegou num ponto que ir para a zona ta sendo mais decente do que ir para uma festa cheia de universitários.
E nem vou falar de torturas feitas pelo próprio estado.

Falando nisso, segundo o diretor o filme na verdade é um retrato do que ocorre no seu país. Como já sabia disso quando vi tentei faze-lo de forma crítica, mas sem saber exatamente como foi viver na Sérvia nos períodos difíceis que o país viveu fica complicado saber exatamente até onde vai a genialidade ou a estupidez do diretor.



Para complementar não são filmes que geram isso. Eles são apenas um retrato do que somos e/ou estamos virando. Talvez nem tanto isso, mas o que sempre fomos. Por isso cobrar sanidade de um filme que muitas vezes tem o objetivo contrario por pura critica é de mais.

Enfim. O filme é um retrato de algumas dessas coisas (alegóricas ou não). Claro que não da para dizer que isso ocorre sempre e da forma como foi retratado, mas os elementos estão ali.
Ele é pesado sim e chocante. Pessoas com um pingo que seja de sensibilidade devem tomar cuidado.

Bom, vamos aos fatos.
O filme tem:
Pornografia mediana, pois nada é explicito. Sim, não é um filme pornô.
Violência crua, física e psicológica.
Cenas de estupro.
Necrofilia (não ocorre, mas é deixado implícito)
Pedofilia. O que deixou muita gente louca.

As pessoas que falaram mal falaram tão mal que da a entender que ele é absolutamente medíocre, horrível, mal feito, forçado e sei la mais o que... Não é. Algumas pessoas chegaram a falar bem e pelo que sei até um diretor consagrado, Henry Kenneth Alfred Russell, elogiou e cumprimentou o diretor de serbian.
O que o próprio diretor diz para o público é o seguinte: "O filme está lá e espero que fale por si. Deve esperar um filme duro e difícil, mas fácil de entender, com metáforas nem tão complicadas sobre o que a violência pode provocar nos sentimentos." De certa forma é verdade.

Em resumo o filme seria o seguinte: um ator pornô aposentado é contratado por um diretor maluco que quer fazer pornô arte... bom... O protagonista da historia, já casado e com filho fica um tanto receoso, pois não tem ideia do que vai ocorrer e não lhe é permitido saber de nada. Ainda assim assina o contrato, pois esta precisando de dinheiro e até a sua mulher deixa implícito que seria uma boa. No inicio é apenas estranho, mas depois ele é obrigado a fazer coisas como espancar uma mulher. Tenta sair da brincadeira, mas aí que a coisa fica preta. Ele é drogado e forçado a fazer coisas que se arrepende.
A produção tem alguns aspectos meio gore e em alguns momentos chega a ser engraçado.
Apesar de fazer isso as vezes, não vou contar tudo sobre o filme. Vejam. Ou não...



Até a pouco eu nem sabia da existência desse filme, mas cai por acaso em um site que apontava para um trailer. Vi e procurei saber mais. O interessante disso é que a maior propaganda foi a própria proibição. E o mais interessante disso é que o filme foi proibido sem nem mesmo ter sido visto (pelo menos no Brasil). A coisa foi tão idiota que foi censurado até o IMDB. Não quero discursar sobre esse assunto específico, pois já existem outros blogs que falaram bem sobre isso. A censura é um fato ligado ao filme, mas alheio ao conteúdo dele e por esse motivo não tratei dela.

Foi um dos poucos filmes que preferi ver sozinho mesmo. Não por falta de companhia, mas por opção mesmo. Mas não me chocou em nada. Viver já é suficientemente chocante.



Diretor: Srdan Spasojevic
Roteirista: Srdan Spasojevic, Aleksandar Radivojevic
Ano: 2010
Duração: 104min
País: Sérvia

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Ovelha Negra (Black Sheep)


Eu adoro as pérolas hehe...
Acredite. Esse filme existe mesmo E EU TENHO O ORGULHO DE DIZER QUE VI hehehe...

Então... É o básico, clichesão mesmo, mas legal.
Resuminho: é uma fazenda onde se fazia, entre outras coisas, criação de ovelhas. Mas com o agravante é que eram feitas pesquisas com alteração genética. No meio disso tudo tem uma herança que traz um dos herdeiro novamente para a fazenda. Para completar o roteiro maravilhoso, em um determinado momento aparece um casal de ativistas que estão la para gerar problemas para os "pesquisadores do mal". Além das ovelhas "transgênicas" que são "melhores" e que ficam más quem é mordido por elas também fica, mas muda fisicamente até ficar peludo e deformado.

É maravilhoso. O filme é engraçado de mais. Mas já vou avisando que apesar disso ele é meio gore. Não totalmente, pois filmes normalmente classificados como gore são mais sangrentos. O fato é que tem cenas realmente sangrentas como a impagável invasão de ovelhas ocorrida em uma apresentação feita pelo empresario fazendeiro onde ele mostra, pela primeira vez, o seu protótipo de ovelha perfeita.

Imagine uma avalanche de ovelhas furiosas querendo comer todo mundo. No fim das contas não tem muito o que falar dessa pérola. É maravilhoso. Agora é claro que é trash então para quem não gosta é complicado.


Quanto a produção, roteiro e interpretações também é o básico. Como ja falei em outra ocasião o bom do filme trash é que ele não tem a pretensão de ser sério. Tanto é que se você for procurar por esse filme no IMDB vai ver que ele também é classificado como comédia.

Outra coisa que vale a pena lembrar é que ele foi feito e ambientado na Nova Zelândia hehe... O que isso quer dizer? É o lugar onde o melhor filme do mundo foi feito. Entre outros bons também, mas refiro-me ao melhor filme trash do mundo. Já falei dele aqui...



Diretor: Jonathan King
Roteiro: Jonathan King
País: Nova Zelândia
Ano: 2006
Duração: 87 min

Skyline



Ta aí um filme que normalmente eu não falaria, mas achei que foi uma boa lembrar dele. É do tipo feito apenas pra vender e apesar de orçamento baixo os efeitos até que são legais. Roteiro de mediano para fraco e atuações fracas. Ou seja: coisa feita pra não chamar tanto a atenção e pior, com orçamento baixo fica-se pensando o que o estúdio queria com ele já que é o tipo de filme para algo mais do que 10 milhões. Praticamente um trash cheio de clichês. Enfim... show de bola pra comer uma pipoca e relaxar. 



De qualquer forma para mim ele não é de todo ruim. Eu gosto de muita coisa e isso naturalmente inclui os filmes de ficção cientifica. Gosto de procurar detalhes que muita gente não vê e provavelmente nem os diretores e roteiristas hehe...

O fato é que fiquei particularmente interessado em um aspecto desse filme. A luz que eles usam para atrair os humanos lembra muito o fenômeno da natureza onde insetos são atraídos para a luz. O ser humano foi reduzido a isso: simples insetos.



No filme para quem pretende ver, os alienígenas não são do tipo que chegam fazendo suspense ou enganando o ser humano idiota pra depois dar uma abocanhada legal. Eles simplesmente chegam já caçando, atraindo massivamente a maior quantidade possível de "insetos". Depois eles enviam batedores de diversas formas para atacar e capturar os restantes. 

Uma coisa que achei interessante nos aliens é que eles parecem ser parte orgânico e parte máquina. Tudo bem, é clichê, mas é legal. Em um determinado momento a raça humana faz uma ofensiva que parece dar certo, mas é mais legal ver o que acontece depois... To resistindo pra não falar apesar de não ser nada de mais e praticamente óbvio ainda mais levando em conta o que acabei de falar.

O que fica realmente estranho é que quando eles absorvem um humano ele parece virar parte do alien, mas não mantem nenhum traço da personalidade anterior. Bom, talvez seja ridículo da minha parte querer entender isso. Em ultimo caso da simplesmente pra dizer que eles precisam daquela parte do nosso corpo apenas como uma especie de processador para alguma parte deles sei la... Cada um invente a teoria que quiser. Cinema é essa loucura mesmo.

No fim a raça humana perde a luta, o que é bem óbvio levando em conta todo o desenvolvimento do filme. Coisa que eu acho bem legal também.



O que talvez tenha inspirado muita gente a fazer criticas ruins, pra não dizer todo mundo que não gostou do filme foi o final. É sempre o papo do final estranho, acaba bruscamente e afins. Nesse caso pode-se dizer que foi tudo. O filme acaba de forma abrupta e de maneira estranha também. Um dos personagens, Jarrod interpretado por (Eric Balfour) o protagonista, tem vários contatos com os ETs. Pra ser mais exato ele é diversas vezes exposto a luz que atrai, mas em todos os casos ele é salvo. Acontece que isso foi mudando ele de alguma forma e no fim quando ele é absorvido... foda-se, falei, ele não perde a consciência. É nessa hora que ocorre a reviravolta no filme. Mas sabe que horas é essa? Os créditos. Ou seja, o filme inteiro passou, muita coisa, legal ou não ocorreu, e a reviravolta ocorre quase no fim e continua nos créditos. 



Pra maioria das pessoas parece idiota, mas eu achei legal para caramba. Serviu como gancho que vai, talvez, puxar um segundo. Como de um tempo pra cá o pessoal esta adquirindo o habito de fazer créditos bem diferentes daquela chatura de apenas um monte de nomes num fundo preto... esse serviu como uma luva.

Gosto não se discute. Não é nenhuma obra prima mesmo para o gênero dele. Não é mesmo. Mas é uma boa diversão para quem gosta de ficção e tem mente aberta para essas coisas loucas que as vezes são inventadas pra cobrir um orçamento pífio para o que se pretendia mostrar.



Uma ultima curiosidade sobre esse filme é que os diretores estão sendo processados pela Sony, pois esse filme tem uma premissa se não igual, muito parecida com Invasão do Mundo - Batalha de Los Angeles que eu não gostei hehe...


Direção: Colin Strause, Greg Strause
Roteiro: Joshua Cordes, Liam O'Donnell
Ano: 2010
País: EUA
Duração: 94min