segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Irreversível (IRREVERSIBLE)




Para quem quer um filme chocante esse é uma das opções viáveis. Vou tratar apenas de um aspecto dele... No fim tem resuminho.

Nesse filme, para quem não sabe a Alex, interpretada pela Monica Bellucci é estuprada e espancada. Eu nem vou entrar em detalhes de como essa mulher é absolutamente maravilhosa e bla bla bla... Apesar da minha vontade. E muito melhor atriz do que muitas que o cinema baba tanto. Enfim.

Confesso que a primeira vez que vi esse filme essa cena me deixou bastante incomodado apesar de ter ouvido que não foi tão violento assim. Nem vou falar nada... E o pior é que esse comentário infeliz veio de uma mulher. De qualquer forma nesse evento do comentário sem noção outros foram feitos entre perguntas que me fizeram pensar em outra coisa.



Nem precisa dizer que acima de tudo é um filme feito para chocar quem quer que seja. Mesmo a criatura que fez o comentário infeliz demonstrou inquietação depois.

Dessa vez passei a reparar em outra coisa: no estuprador e na fala dele.

Por mais violento que seja me pareceu até compreensivo e quase justificável vendo pela ótica do submundo.



É a raiva e o ódio que move essa gente. A vontade de destruir o que não se pode ser ou ter. Ele usa muitas falas de comparativo social. Chama-a de burguesa e fica incomodado com a beleza dela. A reação natural seria destruir.

Ele representa a ação violenta dos menos favorecidos na sociedade onde são marginalizados em todos os sentidos. Violentamente segregados ao meio negro e podre da sociedade. Ela representava a versão bela, limpa só que ao mesmo tempo hipócrita, promiscua, mas com roupagem menos agressiva para as mesmas coisas.

Ele almeja a beleza dela. Ser ela. Não uma mulher, apesar do cara gostar de gays ou ser gay, mesmo por que ele apresenta traços de misoginia... Mas ser ela no sentida da "liberdade", beleza e recursos. Apenas tem raiva por não ter isso e ao mesmo tempo saber que é separado sendo que no fundo é tudo a mesma coisa. A única coisa que na essência realmente separa os dois é a aparência, pois na verdade é tudo uma questão de aparência mesmo. Mas apesar disso ele é fatalmente anulado e privado de meios no sentido de locais e recursos apenas por não ser ou ter algo que os outros têm. Mas esses outros são a minoria.

Na verdade a força esta com a parte podre da sociedade, mas que se sente acuada apesar de ser a maioria. Quando reagem é de forma violenta tentando destruir aquilo do qual foram privados. Esse processe de destruição é na verdade uma forma de equilibrar as coisas. É o universo tentando gerar um equilíbrio entre as partes. Infelizmente retirar algo de alguém gera todo o tipo de problemática, pois quem tem não quer perder e isso, portanto, deve ser feito de forma violenta.



No mais é um filme interessante.

Para os curiosos ele é feito de traz para frente e é violento em vários momentos. Falando de maneira bem linear basicamente é um casal e mais um cara (que já havia namorado com a menina) que vão a uma festa. La ela fica incomodada com o atual namorado e resolve ir embora. Nessa de ir embora ela é abordada, espancada e violentada.

Depois disso eles a acham. Aparecem dois caras dizendo que conhecem a redondeza e podem ajuda-los. Na correria acabam batendo em uns travecos, brigam um monte e acabam em um inferninho de viado. La eles encontram o cara e pa... vejam. É legal... inclusive o fim é fim, ou melhor, o fim da historia, pensando do ponto de vista puramente gore é bem legal.

Existe uma outra coisa interessante que vela a pena ser comentado apesar de que não vou tratar disso aqui.

“Sangue foi derramado e uma divida de sangue deve ser reclamada por homens”.



Diretor: Gaspar Noé
Roteiro: Gaspar Noé
Ano: 2002
País de origem: França
Tempo: 99min

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