sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Anjos do Sol


Filme brasileiro que não fala de desgraça normalmente é uma baboseira sem fim, algo pra burgues que não tem um pingo de noção do que se passa fora da orrrrla ou é filme pornô.

O fato é que voltando a realidade chamada Brasil, parece ter pouca coisa para ser retratada a não ser desgraça mesmo. Assunto não falta.



Quanto ao motivo em questão, o pior de tudo é ver um cara... vários... que não valem nem para estrume abusando de uma menina. E é disso que trata esse filme: prostituição infantil.

Não lembro se ouvi falar desse filme na época que saiu, mas faz tempo. De qualquer forma só consegui ver esses dias e tive que procurar para baixar. Foi lançado até fora do país e foi premiado la fora também, mas aqui não teve nem um pingo da divulgação que merecia. Bom, mais ou menos entende-se o motivo quando agente vê... e já no inicio do filme quando as meninas são postas à venda.



O filme foi rodado em locações na Bahia, Amazonas e Rio de Janeiro. Falando de maneira resumida e superficial é a historia de meninas que vivem em regiões bem afastadas dos grandes centros urbanos e que são vendidas pelos pais a um atravessador. Esse cidadão entrega as meninas a uma mulher que as leiloa. Nesse evento elas caem nas mãos de pessoas até influentes para o uso segundo lhes convir.
Na continuação do filme duas são compradas por um fazendeiro que depois de as usar despacha para uma região de garimpo.
Bom, la dentro nem precisa dizer mais nada quanto a certos detalhes. A historia continua sempre dando bastante ênfase a personagem principal que é Maria, interpretada por Fernanda Carvalho, e indo parar no Rio de Janeiro. Basicamente nesse ponto as coisas só mudam na forma...



Então. Essa infelizmente é uma realidade lastimável do nosso país hipócrita. O filme mostra cruamente a situação lastimável que muitas famílias vivem e a infeliz decisão que muitas delas tem de vender seus filhos, muitas vezes sem nem saber o fim que terão. Mostra a crueldade com que essas meninas são tratadas, as condições absurdas a que elas são submetidas sem absolutamente nenhum cuidado nem mesmo com doenças sexualmente transmissíveis. Agora imaginem como deve estar a saúde sexual não só delas, mas de todo esse meio insalubre a que são submetidas. Triste.



O que realmente deixa a gente desconcertado é saber que se trata da realidade.
Como é relatado no filme, ele foi feito com base em pesquisas, então mesmo que não seja uma historia real é sim baseada em elementos reais. As pesquisas foram feitas por um período de 9 anos aproximadamente.
Como andei lendo por aí a Secretaria Especial de Direitos Humanos constatou que a exploração comercial de crianças ocorre em mais de 900 municípios brasileiros e a Policia Rodoviária já tem constatado pelo menos 1200 pontos onde isso ocorre só nas rodovias federais. Como eu não vejo muito sendo feito e o país é muito maior que isso pode crer que esses dados estão muito abaixo da realidade. Mas de qualquer forma já é assustador.



Existem algumas outras eventuais curiosidades sobre o filme que tem mais haver com o meio artístico do que propriamente com o filme ou o assunto em si. Talvez a maior delas foi a atris Darlene Glória interpretando a cafetina carioca. Darlene Glória foi musa de diversos clássicos como "Toda Nudez Será Castigada” de 1973 de Arnaldo Jabor, mas esta afastada por ter se convertido a uma religião evangélica. O que talvez mais preocupe foi o cuidado que a direção teve que ter com as meninas que fizeram o filme. Os pais leram o roteiro antes e teve gente especializada trabalhando junto para cuidar delas e evitar qualquer desconforto.



Apesar de ser o primeiro longa do diretor ele não é novato na área. O filme tem uma fotografia impecável, as interpretações são boas, o roteiro foi muito bem elaborado, revisado e aprovado por um juiz, Siro Darlan, que além de tudo disse que o trabalho deles era sério. A única coisa que não gostei foi saber que existia um trecho que se passava em Brasilia. Qual seria o motivo dele não estar mais na historia?? Enfim... Para finalizar o que o próprio diretor tem ha dizer é que "é um filme duro." E completa dizendo que a sua "proposta era colocar uma discussão, não uma redenção."



Direção: Rudi Lagemann
Roteiro: Rudi Lagemann
Ano: 2006
Duração: 92min
País: Brasil

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